Impacto na saúde mental de acadêmicos na pandemia reflete no aprendizado

As adaptações necessárias para a continuidade das atividades acadêmicas e a incerteza de dias melhores trouxeram aos universitários inúmeros impactos para a saúde mental, ao longo da pandemia, que chegou ao Brasil em meados de março de 2020. 

As condições de agravo à saúde e segurança no País, devido à Covid-19, causaram o fechamento temporário das atividades não essenciais e também a mudança no formato das aulas que passaram a ser totalmente on-line. Isso causou grande preocupação às universidades quanto ao desenvolvimento acadêmico e a rápida adaptação que o quadro de profissionais da educação teve de seguir para atender ao ano letivo de 2020. 

A rápida mudança pela qual as universidades tiveram de passar para dar sequência à formação profissional dos acadêmicos, gerou grande impacto na rotina dos professores e alunos. A exemplo da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) que, em menos de 48 horas, reformulou seu método de ensino para as plataformas digitais.

Segundo o reitor Kaio Amarante, no início, a primeira questão era a falta de domínio de algumas ferramentas que não faziam parte do dia a dia dos professores. “Isso foi diluído ao longo do primeiro semestre e com sucesso nós finalizamos o ano e o segundo semestre sem nenhuma reclamação com relação ao conteúdo repassado e à forma do conteúdo”, ressalta. 

No Brasil, sete a cada dez universitários declaram que a pandemia trouxe impactos na saúde mental. Esse número representa 76% de acadêmicos sofrendo de algum problema emocional ou psicológico que surgiu em meio à situação mundial ou foi agravada por ela, segundo dados coletados no g1.globo.com.

A psicóloga do Programa de Apoio e Acompanhamento Pedagógico (PAAP) da Uniplac,  Mariane Andrade Muniz Waltrick, destaca que além da ansiedade, outro sentimento provocado nos acadêmicos é a solidão. “Temos uma demanda de alunos que moram sozinhos aqui em Lages e por conta da pandemia, precisam ficar isolados da família. Então, a solidão, o medo e a apreensão foram as maiores queixas dos estudantes que procuraram os nossos atendimentos”, destaca. 

Os inúmeros fatores e incertezas implicaram no número de desistências que a universidade obteve no ano de 2020. Foram ao todo 300 acadêmicos desistindo do sonho da graduação, num cenário de 4,5 mil universitários ativos na universidade. Os números expressam a insegurança quanto ao futuro e a priorização de atividades essenciais, considerando que os motivos para as desistências não estão especificamente relacionados com os problemas emocionais e psicológicos causados pela situação da Covid-19. 

Mesmo com todo o suporte e qualidade no ensino, os alunos da Uniplac relatam as dificuldades no ensino on-line e a influência que o estado mental têm no desenvolvimento acadêmico, principalmente em cursos que são essencialmente práticos, como a área da saúde. “Ficou muito difícil a compreensão do conteúdo, já que meu curso é prático - científico”, comenta o acadêmico do curso de Enfermagem, João Vitor da Luz. 

Para Mariana Fagundes, também acadêmica de enfermagem da universidade, a maior dificuldade foi no aprendizado, já que o curso exige atividades teóricas e práticas. “Está sendo bem complicado porque o meu curso faz muito uso das práticas para o ensino e para os estágios de campo. E como trabalhamos com pessoas, fica ainda mais complicado, por ser justo um curso que está em contato direto com os pacientes e com os cuidados deles”. A aluna, que não conhece o PAAP e seus serviços ofertados aos acadêmicos, desenvolveu ansiedade durante este período.  

A situação que o mundo está vivendo hoje e a intensidade dos acontecimentos propiciaram a “liberdade privada”, o isolamento e o distanciamento social, além das novas regras de sobrevivência, que influenciaram diretamente a vida da população mundial. Com os estudantes não foi diferente. Mariane ressalta que as perdas influenciam muito no desempenho acadêmico: “Todo mundo acabou tendo uma perda, seja de uma pessoa da família ou uma pessoa que conhecia. É normal que as pessoas se sintam mais tristes, irritadas, estressadas, e até mesmo mais apreensivas, por não saberem o que vai acontecer, ou como que as coisas vão ficar daqui pra frente”.

Mariane pontua que os acadêmicos precisaram se adaptar e reinventar a maneira de absorver os conteúdos. Dentro desse cenário, reações de tristeza e de ansiedade são esperadas. “É preciso ficar alerta se essas reações se acentuam a ponto de prejudicar de fato os papéis que a pessoa desempenha em sua vida, é preciso buscar ajuda profissional”. Essa dificuldade é percebida pelos professores e coordenadores dos cursos, que em contato direto com os acadêmicos, identificam a influência do estado emocional pelo qual estão passando e materializam na quantidade de alunos desistentes ao longo desse período.

 

Como funciona o atendimento pedagógico

 

O Programa de Apoio e Acompanhamento Pedagógico visa auxiliar o estudante num todo, tendo como objetivo oferecer, de forma gratuita, atendimento especializado aos alunos dos diversos cursos da universidade. “O PAAP atua com atendimento psicológico, psicopedagógico, apoio em língua portuguesa e matemática. Além de instrutor de libras, e o profissional de braille, para realizarmos o apoio aos estudantes com deficiência. Então, o PAAP é um programa bem amplo, que a universidade propôs no sentido de auxiliar os estudantes”, destaca Mariane. 

O acompanhamento Psicológico é gratuito e exclusivo para os estudantes da Uniplac. Para ter acesso é possível procurar atendimento pessoalmente no prédio da Reitoria, pelo telefone (49)3251-1022 e pelo e-mail paap@uniplaclages.edu.br. Após o contato, a equipe do programa informa ao acadêmico se há horário disponível para atendimento. Caso não tenha, o aluno entra em uma lista de espera e assim que houver a disponibilidade de horário o acadêmico é contatado.

 

No primeiro atendimento, é realizada uma triagem para identificar se aquela queixa do estudante realmente compete ao PAAP, pois muitas vezes as pessoas acabam confundindo o atendimento psicológico do PAAP com um atendimento psicoterapêutico. O foco do atendimento psicológico, por exemplo, é um atendimento de apoio e orientação psicológica, oferecendo um espaço de escuta e de acolhimento para pensar junto em estratégias de enfrentamento das dificuldades que o acadêmico vem vivenciando. 

Mariane relata que, normalmente, as maiores queixas são questões envolvendo ansiedade, dificuldade de relacionamento interpessoal, dificuldade de organização, de apresentação e medo de falar em público. “Com a pandemia nós recebemos uma demanda de estudantes que tiveram algum tipo de perda. Também recebemos muitas questões de estudantes que estão com algum problema familiar que, consequentemente, a situação afeta o desempenho. De certa forma essas questões impactam a vida do estudante a ponto de ele não conseguir desempenhar o seu papel na faculdade”, afirma.

 

Procura por atendimento aumenta na pandemia

 

No início de 2020, os atendimentos do PAAP ficaram suspensos por um curto período, logo no início da pandemia, mas logo vieram as mudanças e adaptações, e o setor voltou a atender aos acadêmicos de forma remota, principalmente o atendimento psicológico. 

A demanda de estudantes encaminhados pelos professores para o atendimento tem forte relação com o alto índice de desistência dos cursos, em virtude da dificuldade de aprendizagem do ensino remoto e/ou dificuldades financeiras, “no final do ano passado em 2020, a procura foi bem grande. Agora no início de 2021, está um pouco mais tranquilo, mas acredito que no decorrer de março a demanda  começa a aumentar”, ressalta Mariane. 

 

Dicas para melhor convívio e adaptação na pandemia 

 

Por fim, Mariane destacou algumas dicas que podem auxiliar os acadêmicos a passarem por este momento, de forma que o que está acontecendo não afete a saúde mental, pois isso irá refletir nos estudos. 

Não se cobrar; 

Tentar se conectar com aquilo que faz bem;

Ter momentos de lazer;

Fortalecer os laços afetivos, mesmo que à distância;

Manter o foco nas atividades;

Adotar um ritmo de vida mais saudável; 

Traçar novos objetivos.

Foto: Leandro Lucrécio

Texto: Amanda Scopel, Jackson Cavalheiro, Karoline Andrade e Leandro Lucrécio | CNU - Central de Notícias Uniplac

 

Publicado em: 15/04/2021  

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