Evento debate autonomia financeira das mulheres

Cultura patriarcal, violência contra a mulher, autonomia econômica feminina, relações de gênero e partilha de experiências de empreendedoras que geram renda. Esses são alguns dos assuntos do Seminário Regional Sobre Autonomia Financeira das Mulheres do Campo e da Cidade e o Enfrentamento à Violência, na Uniplac. Promovido pela bancada feminina da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, o evento teve a presença da deputada estadual Luciane Carminatti, que propôs o ciclo de seminários, e de feministas que desenvolvem projetos na região, sobre enfrentamento à violência contra a mulher e combate às desigualdades. Além de proporcionar o debate e a troca de experiências, a deputada estadual explica que o seminário forma grupos de trabalho, que desenvolvem após o evento um acompanhamento das mulheres que precisam de apoio emocional e financeiro, mostrando para elas o caminho da independência financeira e autoestima.

“É preciso um plano permanente, pois fazer um seminário é muito pouco diante da nossa realidade. Tem lugares, onde estão bem avançados os conselhos da mulher e as universidades, mas há outros locais, que nem se conhecem as mulheres que sofrem violência.”

Uma das pessoas convidadas para fazer parte de uma das mesas-redondas e falar sobre diversos conceitos, foi a doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Gênero, Educação e Cidadania na América Latina (Gecal), Mareli Graupe, junto com Justina Cima e Janaína de Liz Gomes, que respectivamente trataram sobre políticas para mulheres camponesas e feminismo negro.

Mareli abordou pesquisas sobre violência contra a mulher e explicou sobre a quarta onda do feminismo, que combate a ideia de que somente mulheres podem ser feministas. “Homens também podem ser feministas. Há uma concepção cultural e histórica do que consideramos apropriados para homens e mulheres. Há mulheres que são machistas, não são só os homens.” 

Ela acredita que eventos de debate, como o seminário, auxiliam na conscientização e no combate ao senso comum, que ela gosta de chamar de desonestidade intelectual. “Há muita coisa escrita sobre vários assuntos com facilidade de acesso, mesmo assim as pessoas preferem ficar com concepções conservadoras, por isso prefiro chamar de desonestidade intelectual ao invés de senso comum.”

Outra participante do seminário, foi a idealizadora da Casa de Marias, Maria Regina Neto. Ela explicou que é possível ser mulher e independente financeiramente, para que assim, se tenha suporte, em um caso de separação devido a violência doméstica.

“As mulheres se empoderam, quando conseguem criar renda própria. Já passou cerca de 30 mulheres nesses três anos de projeto.” Elas aprendem a costurar e com isso ingressam no mercado de trabalho ou se tornam autônomas. “A maioria não se separa porque depende do dinheiro do marido para sobreviver, mas o projeto mostra que não devemos ser submissas a um homem. Conseguimos ser independentes”.  

Durante todo o seminário, ocorreu uma mostra de produtos e artesanatos, feitos por mulheres. E também foi apresentado ao público, um documentário que mostra violência sofrida pelas mulheres que moram no campo.

Texto Susana Küster – www.clmais.com.br

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